- Dívida soberana impede que 3,4 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento acessem saúde e educação.
- AHF demanda reformas concretas para colocar pessoas antes dos interesses financeiros.
- Em 2023, países em desenvolvimento pagaram 25 bilhões de dólares a mais aos credores do que receberam em novos empréstimos
Los Angeles, Califórnia, 10 de junho de 2026 – A AIDS Healthcare Foundation (AHF) anuncia o lançamento da campanha global Livre da Dívida, uma iniciativa que expõe como o sistema global de dívida soberana está sufocando o desenvolvimento no mundo em desenvolvimento e exigindo reformas urgentes que permitam aos países investir em saúde, educação e infraestrutura.
A campanha se concentra em uma crise que afeta diretamente cerca de 3,4 bilhões de pessoas: aquelas que vivem em países obrigados a gastar mais dinheiro em pagamentos de dívida do que em saúde ou educação. Esses países pagam taxas de juros até 1.000% mais altas do que nações desenvolvidas, e perdem anualmente três trilhões de dólares, que escoam de suas economias por meio de pagamentos de dívidas, juros e evasão fiscal.
“A injustiça da dívida é uma crise de direitos humanos sobre a qual ninguém está falando”, diz Francisco Rubio, Diretor de Advocacy da AHF para América Latina e Caribe. “Enquanto os países pobres cortam o orçamento destinado a hospitais e escolas para pagar juros a bancos internacionais, suas populações sofrem. Isso não é economia, é opressão estrutural.”
O sistema global de dívida é construído sobre regras financeiras herdadas de uma longa história de desigualdades e impulsionado pelo domínio de instituições multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, juntamente com credores privados que controlam os termos de negociação das dívidas.
Em 2023, os países em desenvolvimento pagaram 25 bilhões de dólares a mais aos seus credores do que receberam em novos empréstimos. Esse fluxo reverso de riqueza significa que o dinheiro que deveria ser investido em desenvolvimento vai diretamente para pagar juros sobre dívidas.
A situação é particularmente grave em crises. Quando desastres naturais, pandemias ou emergências de saúde eclodem, os países ainda mantêm o pagamento das suas dívidas. Isso força governos a escolher entre salvar vidas ou manter solvência financeira. Durante a pandemia de covid-19 e, mais recentemente, com as enchentes do Paquistão, em 2022, nações inteiras tiveram que sacrificar respostas de emergência para evitar o calote.
1. Borrowers’ Forum: poder na união
Países em desenvolvimento negociam com credores individualmente, o que significa que não têm poder algum de barganha. A AHF apoia a criação do “Fórum Global de Devedores” (Borrowers’ Forum) para que as nações do Sul Global negociem juntas, de forma unificada. Essa proposta já foi endossada pela Conferência de Sevilha sobre Financiamento ao Desenvolvimento e pelo G20, em 2025.
Quando os países negociam em bloco, podem exigir termos justos, taxas de juros razoáveis e condições que priorizem o desenvolvimento humano.
2. Pausas automáticas de dívida em crises
Durante emergências de saúde pública, desastres climáticos e catástrofes humanitárias, os países devem poder pausar automaticamente os pagamentos de dívida sem incorrer em juros adicionais. Não é justo ter que escolher entre pagar aos bancos ou salvar vidas.
Esta medida é urgente: as mudanças climáticas estão gerando mais desastres e o mundo permanece despreparado para a próxima pandemia. Os países precisam de flexibilidade financeira para responder a essas crises.
3. Contribuição solidária sobre inteligência artificial
Empresas de IA estão gerando lucros massivos, enquanto países pobres cortam serviços de saúde e educação para pagar dívidas. A AHF demanda um imposto global de 1% sobre investimentos de capital e receitas das principais empresas de IA, com recursos direcionados para alívio de dívida e bens públicos essenciais no Sul Global.
A nova riqueza gerada pela IA não pode enriquecer apenas alguns poucos, enquanto o mundo em desenvolvimento empobrece.
Sem uma reforma urgente, o sistema atual continuará extraindo riqueza dos países mais vulneráveis, limitando sua capacidade de alcançar o progresso, proteger a dignidade humana e construir um futuro estável e equitativo.
Acompanhe a campanha e junte-se ao movimento global: #FreedomFromDebt
CONTATOS DE IMPRENSA
AHF América Latina e Caribe
Sergio Lagarde Moguel
Diretor de Comunicação
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Instituto Global de Saúde Pública da AHF
Oluwakemi Gbadamosi
Subdiretora Executiva
Instituto Global de Saúde Pública da AHF
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AHF Estados Unidos
Denys Nazarov
Diretor de Política Global e Comunicação
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A AIDS Healthcare Foundation (AHF), a maior organização de assistência médica para o HIV/AIDS do mundo, oferece tratamentos de ponta e apoio a mais de 3 milhões de pessoas em 50 países, incluindo os Estados Unidos, a África, a América Latina/Caribe, a região da Ásia/Pacífico e a Europa. Conheça mais sobre AHF em: ahflatamycaribe.org, encontre-nos no Facebook: www.facebook.com/aidshealth e siga-nos no Twitter: @AHFcares e Instagram: @AHFcares Para América Latina e Caribe Twitter: @AHFLatamyCaribe
O Instituto de Saúde Pública Global da AHF desenvolve e defende mudanças nas políticas baseadas em evidências para criar uma arquitetura de saúde global mais equitativa e eficaz. Com foco em doenças infecciosas e sistemas de saúde, nosso trabalho aborda lacunas críticas na segurança, equidade, governança, legislação e financiamento da saúde global. Visite nosso site para mais informações: ahfinstitute.org


